Não, a vida não é bela,
Amor nada mais é do que
Uma palavra fictícia,
Ilusória, retrógrada,
Ridícula, abstrata,
Mal definida
E mal falada
E ao pronunciada
Engana
O coração de quem acha que ama.
Sou poetisa?
Não!
Sou uma menina
Que vende e propaga
Seus sofrimentos,
Dos quais alguns se identificam,
Torno belo e profundo
Algo que muitos
Acham serem palavras.
É uma aberração
O quão
Minhas feridas,
Podres e doloridas
Transformam-se em versos
Que tolos acham ser
Apenas verso!
Muitos acham... Mas são gotas... Mistura de sangue e lágrima. Drummond diria: "Duas cores se procuram/suavemente se tocam/amorosamente se enlaçam/formando um terceiro tom/a que chamamos aurora". Seus versos são sua aurora, lembrar disso poderá lhe ser útil algum dia.
ResponderExcluirTolos... Por que ligar para quem despreza a poesia? Devem ter outro refúgio. Mas a poesia não é apenas isso... Não gaste seus versos.
A distribuição que faço em meus versos varia de acordo com os meus sentimentos no devido instante: "Eu preparo uma canção
ResponderExcluirem que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos (...) Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri(...) Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas(...) Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças." (Carlos Drummond de Andrade).