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segunda-feira, 28 de março de 2011

VERDADES PURAS


Estou deformada em cicatrizes,
Me sinto uma árvore sem raízes
Que o vento teima em arrastar.

Tenho conteúdo pra 2 mil
Histórias de pura utopia romântica
A meus amigos, leitores,
Inimigos e amores,
Deixo esta herança.

Conto do dia, que o mar
Não se continha em ondas de fogo,
Que o céu de lágrimas
Era um poço.

Mentiremos algum dia
Pra nossas meninas
Ao dizer que o mundo
Vai lhe aceitar do modo que são?

Vamos dizer a elas então
Que não estudem, para não
Terem rugas,
Que a beleza da mulher
Consiste na bunda,
Que se não forem magras e belas
Não serão desejadas
E ao modelo “corretas”.

Mentiremos então
Aos nossos filhos,
Dizendo que é de agora o roubo,
Assassinatos, crimes e traição,
Que de agora nasceu a corrupção
E que, “no nosso tempo”,
Criança brincava na rua,
Na TV não se tinha só mulher nua,
Que Judas não traiu Cristo,
Que honrávamos nossos compromissos,
Pois bem...

Mentiremos e criaremos
Um mundo paralelo
Pra nossas crianças,
Como nossos pais,
Criaremos contos de fadas
Na esperança
Que elas se iludam
E não se matem aos 15 ou 20 anos,
Ao perceber que não existem planos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

DESTINO DE MULHER


Escutei certa vez
Que a mulher nasce
Pra morrer de amor...

Pera! Uma coisa por vez
Quem fez essa lei?
Nascemos na dor,
Vivemos como for
E morremos por amor?

Estou incrédula!
Que forma é essa?
Mas que maneira é certa?

Viver na boléia
Ou se jogar do caminhão
Sem culpa no coração
Rezando pra que não chegue o chão
E sempre com destino em vão?

A custa do sangue que na veia pulsa
Acabando por fim na utopia
Que é acreditar na vida
Tomando como gosto e hobby
Admirar a água que pelo rosto escorre.

Mas se eu disser que tudo é mentira
Que uma mulher jamais trairia
Eu estaria me contra-dizendo?
É, assumo isso com certo lamento...

A mulher sofre por não saber
Do que é capaz
E isso ao homem um tanto satisfaz.

quarta-feira, 23 de março de 2011

SAUDADE

Pode ser tanta coisa
E até mesmo nada
Como a saudade de ser amada
A vaga lembrança
Que me faz virar criança.

Diante de beijos delicados
Se me arrependo de algo
É quando anoitece
Não ter passado o dia
Em sua companhia.

Não consigo te odiar
Só quero te esquecer.

Meu coração está em ruínas
Meu segredo é a sina
Recados me fazem suspirar
Olho o telefone, o vejo tocar,
Corro, não é você.

Cada letra de minhas poesias
São lágrimas,
Lágrimas de dor,
Dor tamanha que me faz soluçar
Que chega a dar vontade de gritar,
Gritar que existo!
Que sou de carne!
Que tenho sentimentos
E que sofrer dói,
Até mesmo em mim.

Sou tão “forte”,
Estou desarmada e sem escudo,
To levando na cara
Com as mãos amarradas
Por um destino covarde
Que sonhei, acordei
E descobri que era verdade
E que existe um ladrão
Chamado saudade.

quinta-feira, 3 de março de 2011

DESGOSTO DO CÉU

Bem... O que posso falar?
Me apaguei em prol
De fazer outro sol brilhar,
Fiz da chuva trovão,
Das tripas coração
Não tenho idéia do quão
Devo me conformar.

Fiz de bom o ruim,
Transformei rosas em jasmim,
Mostrei o quanto bom pode ser
Apostar pra ver,
Mas não desse tempo ao tempo
Fizesse do paraíso um tormento.

Pena que eu já tinha “pago”,
Mas você pulou do “barco”
Em busca de uma “terra firme e sólida”
E repleta de plantas mortas.

Joguei fora uma lua
Grande, bela e radiante
Pra dançar ao som
De uma mesma música
confusa e entediante
Que ao final
Me fará de fantoche
E o que digo destorce.

As estrelas caem ao chão
Humilhadas e massacradas
Sei que dizer isso é trivial,
Mas vê-las assim dói no coração
O que digo é banal
Assumo isso não por mal
É que eu queria mudar o mundo
E isso sim é anormal
Sei que o medo é tudo:
Profundo, torturante e imundo.

Virei mira de uma grande firma
De armas químicas
Que planeja a minha morte
Sem saber que não estou viva,
Não ao menos nessa vida
Que tudo aos poucos tardia.